por Evana Marmo

O retorno do mercado imobiliário e turístico de acordo com Nilson Nóbrega, presidente da Construtora Braesa, graduado em Direito pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e especialista em Turismo e Hotelaria pela Escola de Administração da Universidade Federal da Bahia (UFBA) deverá ter alguns motores de desenvolvimento para alavancar toda a cadeia produtiva do setor, disse durante entrevista ao programa Radar Imobiliário, no sábado (27), na rádio Metrópole.

Segundo avaliação do executivo, é necessária uma estabilização e também a apresentação de soluções para superar essa crise sem precedentes em todo mundo. “A operação econômica está rodando, fomos afetados, mas já existem setores avançando e superando esse desafio”. Para Nóbrega, pelo menos cinco metas de retomada deveriam ser implantadas para um desenvolvimento consistente, mas que necessitarão de ações concretas. Na opinião do presidente da empresa, o primeiro ponto e crucial para esta recuperação é suprir o déficit habitacional existente no país já alguns anos. Esse assunto já deveria ter cessado, mas de acordo com um estudo da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) desde de 2007, o número só aumenta e é 10% maior do que 13 anos atrás, mas isso deve favorecer o mercado imobiliário com oportunidades e principalmente com uma estrutura mais avançada, inclusive no sistema de crédito mais organizado. Com a procura, as instituições tiveram que se adequar para oferecer mais opções aos clientes, explicou.

Além disso, é importante focar nos recursos que serão direcionados para a retomada da economia e que sejam encaminhados para o setor da construção civil que gera milhares de empregos e consequentemente renda. Já o segundo ponto é o recente projeto aprovado no Senado que institui o novo marco legal do saneamento básico e dará abertura para participação privada no setor. Com isso, uma universalização do saneamento, visando garantir coleta de esgoto para 90% da população, bem como fornecimento de água potável para 99% da população até o fim de 2033. Também com essa medida, o Ministério da Economia estima uma atração de “mais de R$ 700 bilhões em investimentos” e geração, “em média, 700 mil empregos no país” até 2034.

Outro impacto é o social com R$ 453 bilhões em valorização de imóveis que hoje não são atendidos por água ou esgoto. Nilson ressaltou que esse é um marco de grande significância já que 50% da população ainda vive fora da rede de esgoto e ainda não tem acesso a água tratada. São pelo menos 1.200 municípios com esse problema básico no país. Além de prejudicar todo ecossistema.

A partir desses dois já são estabelecidas metas que formam uma plataforma virtuosa e um conjunto de ações positivas baseadas em um realidade, disse. O executivo ainda falou que é inevitável a entrada dos recursos privados para essas obras e as empresas, sejam elas nacionais ou internacionais, estão dispostas a assumir determinados riscos para essa evolução.

Mais uma questão que deve ser solucionada e colocada novamente no sistema nacional é a retomadas das obras, segundo Nilson, são mais de 14 mil construções paralisadas em todo país. Com esses três pontos o setor já consegue apontar para soluções, destacou. Inclusive onde retornaram as obras já é possível verificar benefícios para sociedade.

Todo esse panorama aponta para soluções que podem gerar emprego, trabalho e renda por pelo menos duas décadas.” Tudo isso junto dá um trilhão de reais de necessidades de investimentos”, ressaltou.

Entra nesse cenário, mais que essencial, a taxa de juros reduzida, que atualmente está em 2,25% ao ano. Além disso, Nóbrega cita as linhas de financiamento de investimento de 600 meses (50 anos) principalmente para o setor turístico que deveriam ser incentivadas. Pois ele precisa refinanciar sua estrutura, completou. “O investimento imobiliário é um dos mais tradicionais de todos os investimentos mesmo que o mercado suba e desça, vemos inclusive lançamentos durante esse período de crise sanitária”, falou.

Ainda para ativar esse motor de crescimento e desenvolvimento, Nilson tratou de oito pilares que poderão ajudar os setores nessa recuperação pós-pandemia.

1. reestruturação de capital
2. desenvolvimento de plano operacional com foco na geração de reservas
3. desenvolvimento de plano de serviços periódicos
4. desenvolvimento de calendário de experiências com base em alianças
5. desenvolvimento de banco de serviços
6. desenvolvimento de cadastro de provedores
7. criação de plano de contingência
8. desenvolvimento de plano de saída do investimento

Confira esses oitos pontos na entrevista completa no canal do Youtube do Radar Imobiliário.

O programa Radar Imobiliário é veiculado todo sábado das 9h às 10, na rádio Metrópole, 101,3, sob o comando de Manuel Gomes e Silva Rocha. Envie sua pergunta para o WhatsApp (71) 98155-3258 ou 3505-5000.