A Gestão de Pessoas não é um tema recente. Porém, atualmente, ganhou um novo ingrediente: o regime home office.

Dessa forma, os gestores de pessoas tiveram que começar a pensar fora da caixa para procurar manter a motivação da equipe à distância.

No Brasil, até a chegada da pandemia, o conceito de trabalho home office ainda era pouco difundido, e isso pegou muitas empresas de saia justa.

Ou seja, essas empresas não estavam preparadas para esse novo modelo. E uma verdadeira reengenharia foi necessária para pensar na motivação dos colaboradores, entre outros aspectos da Gestão de Pessoas nas organizações.

Mas, o que muda daqui para frente? Quais são as diferenças entre Gestão de Pessoas presencial e Gestão de Pessoas em home office?

É para falar sobre esse tema que foi feito esse artigo. Confira o texto a seguir.

Como fica a Gestão de Pessoas em home office?

Antes de mais nada, é preciso esclarecer rapidamente o que a Gestão de Pessoas. Em linhas gerais, é o departamento responsável por administrar o ativo humano de uma empresa.

Esse departamento, conhecido como RH, tem por finalidade usar técnicas e recursos tecnológicos para conciliar os objetivos dos colaboradores com as metas da organização.

No entanto, com os colaboradores trabalhando em home office, como ficam essas técnicas? As mesmas técnicas presenciais, funcionam para o trabalho à distância?

Perceba que estamos diante de algo novo até então. Muitas empresas sequer tinham um funcionário trabalhando nesse regime, e agora estão com mais da metade da empresa em home office.

O que muda basicamente na Gestão de Pessoas?

Em primeiro lugar, a comunicação é a primeira coisa que muda com a implantação do regime home office. Afinal, tudo é feito à distância.

Desse modo, a empresa precisa saber usar as inúmeras ferramentas que hoje são disponibilizadas para isso.

É preciso, saber explorar ferramentas como Slack, Trello, Skype, Zoom, dentre tantas outras para buscar uma maior proximidade com o colaborador.

Além disso, também muda a questão da cobrança. Aqui as empresas estão acostumadas a cobrar os colaboradores por horas trabalhadas. Mas agora isso mudou.

Todos os colaboradores vão precisar ter metas bem definidas. Essas metas precisam ser atingíveis e acompanhadas dos superiores e do próprio RH.

Logo, o funcionário passa a ter a liberdade, e no caso da pandemia de COVID – 19, a necessidade, de trabalhar em casa, porém ele precisa apresentar sempre os resultados para a empresa daquilo que está fazendo.

Então, pensar nessa nova maneira de cobrar o colaborador e em uma sistemática para manter a equipe engajada é o novo desafio que o RH tem pela frente.

E para vencer esse desafio é preciso saber quais são as diferenças de fazer a Gestão de Pessoas em regime home office. Separamos neste artigo, 10 diferenças cruciais que todo RH precisa saber.

Gestão de Pessoas em Home Office é com a Master Experiens | Conhecimento e Informação ®

Estamos diante não apenas de uma revolução digital mas sim de uma transformação cultural profunda com efeitos diretos no comportamento humano em grupo e individual cujos desdobramentos estão mudando diversos mercados existentes.

Nilson N. Freitas

1 – Definição das atividades e objetivos semanais

A primeira mudança que a Gestão de Pessoas enfrenta no regime home office é a definição das atividades e objetivos semanais.

É necessário que os gestores e o RH definam um cronograma diário, semanal e mensal para cada colaborador. Dessa maneira, eles passam a entender melhor o que precisam fazer.

Esses objetivos precisam levar em consideração a capacidade do colaborador em cumpri-los, e por isso, não podem ser inatingíveis.

A empresa precisa ter muito cuidado nesse ponto, até porque o desgaste em demasia do colaborador pode piorar ainda mais a sua produtividade.

Ademais, é preciso pensar em indicadores de desempenho e num acompanhamento do próprio colaborador para avaliar como ele está se saindo.

Num aspecto geral, é preciso aumentar o planejamento e a mensuração de resultados para se ter o mesmo desempenho no home office.

2 – Análise da ergonomia do colaborador

Uma outra questão que também muda com o regime home office é a ergonomia do colaborador. Ou seja, como está a postura dele e como isso pode ajudá-lo ou prejudicá-lo.

Trabalhando dentro da empresa é mais fácil ajustar mesas, cadeiras e equipamentos pensando em uma boa ergonomia. Mas, como fazer isso à distância?

Como saber se o colaborador está realmente mantendo a postura no momento de se sentar? Note que o RH não tem como ir para o lado da fiscalização nesse caso.

No entanto, é importante que a empresa amplie as campanhas de conscientização do colaborador. 

Sendo assim, a empresa precisa fornecer periodicamente conteúdos mostrando como o colaborador deve sentar-se e os benefícios de se manter a postura.

Além disso, os conteúdos precisam abordar os males que a falta de postura pode trazer para o colaborador, caso ele não esteja trabalhando em um local indicado.

A organização, também precisa fornecer os equipamentos necessários para garantir a ergonomia do colaborador. E isso é um verdadeiro desafio.

Desse modo, o departamento de RH precisa pensar em iniciativas para conseguir melhorar a ergonomia do colaborador. Fazendo, inclusive, lives voltadas para isso.

3 – Cuidados com a saúde física do colaborador

Nos últimos anos a saúde física do colaborador passou a interessar cada vez mais para as empresas. Até porque, isso interfere diretamente na produtividade.

Se uma organização possui muitos funcionários com problema de saúde, o custo com o plano de saúde aumenta. Fora o fato de que os próprios colaboradores não terão o mesmo rendimento.

No fim das contas, se uma pessoa é sedentária, por exemplo, ela será mais indisposta para exercer suas tarefas. Portanto, as companhias passaram a ver que investir na saúde física do colaborador era positivo.

Foi então que diversas organizações começaram a oferecer ginástica laboral, acompanhamento médico e inúmeros outros benefícios para o colaborador.

No entanto, por conta do distanciamento social isso mudou. As pessoas não podem sair de casa, como irão se exercitar? Como a empresa pode ajudar nisso?

Esse é mais um desafio para o departamento de RH. Mas, ele pode ser vencido por meio do uso das atuais ferramentas.

Ou seja, a empresa pode fazer transmissões ao vivo diariamente, no mesmo horário, exigindo a presença dos colaboradores para a ginástica laboral.

Além de tudo, também é possível criar conteúdo mostrando a importância de se exercitar. Ainda mais agora diante dessa nova situação.

Existem diversas formas de se exercitar sem sair de casa e são esses exercícios que as empresas precisam explorar para manter o colaborador ativo fisicamente.

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4 – Cuidados com a saúde mental do colaborador

Uma outra diferença que a gestão de pessoas em home office têm é a questão do cuidado com a saúde mental do colaborador.

Esse é um tema que ficou ainda mais delicado, pois todos seres humanos são feitos para se socializar, porém a socialização ficou comprometida.

Nem todo mundo reage bem diante disso. Muitas pessoas acabam entrando em depressão, passam a apresentar ansiedade e diversos outros problemas.

E como a empresa pode agir para mudar esse quadro? Como ajudar o colaborador a enfrentar esses sentimentos que podem comprometer a sua produtividade?

Veja que mais do que nunca a empresa precisa criar formas de ampliar os cuidados com a saúde mental do colaborador.

Palestras falando sobre o tema, folders, podcasts são essenciais nesse momento. Além disso, também é preciso investir em atendimentos mais diretos.

Isto é, ter profissionais como psicólogos e psiquiatras capazes de acompanhar o colaborador e identificar se ele está com algum problema.

5 – Investimentos em cursos e treinamentos

Outra disparidade da Gestão de Pessoas em home office é a forma como os funcionários irão receber os cursos e treinamentos.

Os treinamentos internos, que até então eram oferecidos pela empresa em um salão, deverão ser mudados para videoaulas.

Para isso, é preciso contar com bons equipamentos de filmagem, iluminação e até mesmo de edição de vídeo para manter a qualidade do treinamento.

Em outras palavras, os gestores precisarão se adaptar à tecnologia para continuar oferecendo cursos de qualidade e motivando os colaboradores.

Um caminho é procurar terceirizar isso, ou seja, fechar parcerias com empresas de treinamento que já possuem um know-how nesse sentido.

Além do mais, é preciso treinar os próprios colaboradores no uso dessas tecnologias, pois nem todos terão essa mesma afinidade, principalmente os funcionários mais antigos.

É praticamente um novo recomeço para todos. Para o RH, gerentes e até mesmo para a própria equipe que ainda está se adaptando nesse novo formato.

Também é preciso pensar no tempo de duração dos cursos. Pois, o funcionário também terá que se dedicar mais em alguns afazeres domésticos.

Por exemplo, as escolas estão sem funcionar em alguns lugares, logo os pais precisam acompanhar seus filhos nas videoaulas. E para isso precisam de tempo.

Ou seja, a empresa precisa oferecer os treinamentos, mas de modo que eles não invadam a vida pessoal do colaborador. 

6 – Benefícios motivacionais para os colaboradores

Há algum tempo, as empresas estão procurando dar benefícios para seus colaboradores como forma de retenção de talentos.

Esses benefícios podem ser os mais variados como plano odontológico, plano de saúde, vale refeição, vale transporte etc.

Porém, com o regime home office, é preciso rever alguns benefícios, ou seja, ver se há benefícios desnecessários para o colaborador nesse momento.

Exemplo, é possível que ele não esteja usando o vale transporte, logo, não seria mais interessante substituir esse benefício por outro que seja mais vantajoso?

Em linhas gerais, houve uma mudança nos costumes da população, e isso precisa refletir nos benefícios que a empresa oferece.

Inclusive, hoje muito se fala sobre os benefícios flexíveis. Ou seja, ouvir do próprio colaborador qual seria o benefício mais atraente para ele.

Fazer uma gestão de benefícios flexíveis não é fácil, até porque nesse caso é preciso oferecer uma grande variedade para o colaborador.

Entretanto, o departamento de RH precisa começar a pensar nisso, ainda mais nesses tempos em que o home office está prevalecendo.

7 – Engajamento de toda a equipe com a cultura organizacional

Um outro desafio que o RH tem pela frente é o engajamento da equipe com a cultura organizacional.

Como fica o engajamento? Como criar objetivos e metas mensuráveis que vão de encontro aos objetivos da organização? Como fazer os colaboradores entenderem isso?

Dentro da empresa, criar esse engajamento é de certa forma mais fácil. Até porque, dentro do ambiente de trabalho está praticamente toda a cultura organizacional.

No entanto, trabalhando dentro de casa, o colaborador não fica lendo o tempo todo a missão da empresa. Ele não é lembrado disso o tempo todo.

Sendo assim, as organizações precisam pensar em meios de mostrar como as metas individuais de cada um colaboram com os objetivos da própria empresa.

Os funcionários precisam entender o seu papel dentro da organização. Reuniões com a liderança precisam, dessa forma, acontecer com frequência.

Além de tudo, é preciso pensar também em softwares onde o funcionário pode dar a sua opinião, falar sobre seus anseios e o que está achando desse formato de trabalho.

Essa aproximação é extremamente importante para criar um time engajado mesmo estando trabalhando em casa, longe do ambiente de trabalho “comum”.

8 – Motivando o colaborador por meio de incentivos

Como não poderia deixar de ser, o RH também precisa pensar como irá incentivar o colaborador no regime home office.

E aqui, não estamos falando só em planos de benefícios, mas em todos os incentivos que normalmente fazem parte do dia a dia de uma empresa.

Exemplificando, quando um funcionário está desempenhando bem o seu papel, ele recebe um elogio do seu superior naquele dia. Isso faz a diferença para ele.

Ou então, a própria equipe por atingir a meta decide fazer um happy hour para comemorar. Note que esse tipo de incentivo se perde no home office.

O funcionário está distante e nem sempre pode receber o elogio. Ao alcançar a meta, não há ninguém do lado dele comemorando o feito.

São questões que podem parecer simples, mas ao mesmo tempo fazem toda a diferença no dia a dia da pessoa. E como superar isso?

A melhor maneira é treinar bem os líderes para que eles consigam superar a distância, e mesmo através dos canais digitais incentivar os colaboradores.

Nesse momento, é preciso muita criatividade para realmente fazer a diferença. Então, uma reunião para falar sobre a meta alcançada é interessante.

Por exemplo, se um dos colaboradores se superou na semana, faz uma reunião de toda a equipe e o elogia na frente de todos. Mas não deixa de mostrar para cada um a sua própria importância e capacidade.

Pequenas ações podem fazer uma enorme diferença na produtividade da semana, superando a distância entre o time.

9 – Os Feedbacks precisam ser mais dinâmicos

Mais uma diferença que a Gestão de Pessoas em home office traz é a questão dos feedbacks. Além de constantes, eles precisam ser mais efetivos.

Não é de hoje que as empresas já trabalham com avaliações de feedback. Mas agora essas avaliações precisam ser feitas a distância.

E por isso é essencial ter um bom software para auxiliar. Por conta disso, fica mais fácil do RH acompanhar em tempo real como está a avaliação de cada colaborador.

Isto é, por meio desse sistema o RH pode ir vendo como o colaborador está conversando com o time, qual o seu engajamento com a empresa, como está a comunicação dele com os demais.

Isso vale tanto para a avaliação entre os próprios colaboradores, quanto entre a avaliação entre os chefes e os seus subordinados.

Sendo assim, a empresa precisa oferecer esse sistema online para que os colaboradores possam se avaliar a cada momento dando feedbacks construtivos.

Por meio dessas avaliações, a companhia consegue elaborar um plano para tornar cada um dos colaboradores bem mais produtivos.

10 – Confraternizações precisam existir

Por fim, a última disparidade entre a Gestão de Pessoas em home office está relacionada às confraternizações comuns dentro do ambiente de trabalho.

Dentro da empresa é costumeiro se comemorar um aniversário dentro do departamento, ou então uma meta que foi batida.

Com o trabalho a distância isso acaba se perdendo, tirando, inclusive, a motivação dos colaboradores. E por isso é importante pensar nessa questão.

O RH precisa estar atento nisso e criar datas comemorativas para que sejam festejadas, mesmo à distância.

Se um membro de uma equipe fizer aniversário, é fundamental reunir todo o time para cantar parabéns e fazer um brinde à lonjura.

Só o fato de ser lembrado fará toda a diferença na vida desse colaborador. O mesmo pode ser feito quando uma meta foi batida.

Além disso, também é necessário manter os eventos que se tinha antes, mas mudá-los para o formato digital. São pequenas ações que fazem toda a diferença.

O desafio da Gestão de Pessoas em home office

Conforme observado, são muitos os desafios que a Gestão de Pessoas em home office tem pela frente.

Afinal de contas, houve uma mudança repentina no formato de trabalho e isso está obrigando todos os profissionais a se reinventarem.

Pensar em formas de engajamento, em novos benefícios e até mesmo na melhor maneira de cobrar e treinar o time é fundamental nesse momento.

Em resumo, há uma profunda mudança no processo de Gestão de Pessoas. E agora, será preciso que todas as organizações se atentem nisso, até porque o home office simplesmente veio para ficar e cada vez mais ele será aplicado dentro das organizações.

Esse é o futuro que chegou de forma repentina, obrigando as empresas e os gestores de pessoas a se reinventarem neste ano.